sexta-feira, 25 de março de 2016

Pensar ou observar?

A maior ilusão da humanidade é achar que a vida está no passado e no futuro. Isso ocorre porque o ego precisa de algo para poder se identificar com o “eu” e o com “meu”, e isso só é possível através da identificação que você tem com a sua história. Para que esse mesmo ego possa continuar vivo, ele precisa traçar metas futuras, pois só assim terá alguma serventia para continuar existindo. É por isso que dentro da sua mente existem tantos desejos projetados em algum lugar do futuro. Trata-se de recursos usados por esse ego para mantê-lo conectado com ele. É isso que ocorre com a grande maioria da população mundial: a identificação com o passado e com o futuro, fazendo com que esses dois espaços-tempos sejam a sua própria vida.

O momento presente, que é o onde tudo está acontecendo, se tornou uma pequena linha que divide o ontem do amanhã. Ninguém dá valor a ele, o momento presente é encarado como uma simples passagem para o amanhã. Mas o amanhã quando chegar será novamente hoje e, portanto, você fará dele apenas mais um instrumento sem importância que serve de passagem para levá-lo até o futuro; e esse tão sonhado futuro nunca chega, porque você não o vê. Quando ele chega já se tornou o presente novamente e você não está interessado nele, seu interesse está só no amanhã.

Pior do que essa ilusão é o fato de você projetar para o seu futuro tudo aquilo que viveu no passado. Sem saber, e de forma automatizada, todo o seu passado se projeta no futuro, pois é isso que você entende como realidade e, por isso, será essa mesma realidade que irá viver. É impossível alguém trafegar entre o passado e o futuro e não sentir as energias densas trafegando dentro de si. O arquétipo do inconsciente coletivo sempre está te puxando para os padrões mentais negativos que acompanham essa humanidade. As formas pensamentos predominantes neste planeta tem total foco no medo, na raiva, na vingança e na insegurança, portanto, é bastante difícil que alguém tenha pensamentos positivos. Ao primeiro descuido a sua mente o arrastará para todos os seus medos e, de acordo com as leis naturais que regem tudo o quê acontece no universo, você atrairá esses medos para a sua experiência de vida.

Pensamentos são tóxicos, isso é um fato, e dentro da sua mente não existem apenas os seus pensamentos. Nossos corpos estão separados, mas as nossas mentes estão todas conectadas. A sua mente não é só sua, dentro dela existe todo inconsciente coletivo. E a mente coletiva é um terror. Ela é um terrível pesadelo atormentando todos aqueles que não estão despertos.

A identificação e a resistência a qualquer coisa que exista é o que gera todos os problemas. Pensamentos são apenas pensamentos. Eles vêm e vão e você não possui nenhum poder sobre eles. Tentar controlar algo só dá mais poder para esse algo. Mas, atrás desses pensamentos, existe algo a mais, existe a presença que pode observá-los, e essa presença é você mesmo. Você não poderia ver os pensamentos se fosse eles. Não poderia observar as emoções se fosse elas. Se você pode observar cada um desses aspectos é sinal de que você é maior do que eles, isso significa que você está no pano de fundo de tudo isto, e por isso não pode ser nada disto. Você, em última análise, é a pura presença que testemunha cada uma dessas energias que estão trafegando dentro do seu campo energético interior.

Pensamentos e emoções estão na periferia do ser, e não no centro. O centro é a presença pacífica que está atrás disto tudo. Quando você está identificado com os pensamentos, é porque saiu do centro e foi para a periferia, e quando está em paz é porque resolveu voltar para o centro pacífico que habita em seu interior.

Pense numa situação, imagine que você está no meio da mata fechada, distante alguns kilômetros da casa que o abriga; e então o tempo fecha e espessas nuvens se formam sob o céu. Uma grande tempestade está chegando e você está lá, no meio da floresta, sujeito a todo tipo de variáveis que acompanham uma grande tempestade. Mas, neste momento, você resolve correr para a casa e não perde tempo, pois sabe que se ficar ali, no meio daquela chuva, ficará completamente vulnerável a ela. E, após uma acelerada nos passos, você consegue chegar em casa antes que a tempestade chegasse até você. Agora você está seguro e amparado dentro da casa que o acolhe, e a chuva, que veio carregada de relâmpagos e trovões, está lá fora cumprindo o seu papel. Nesse momento
existe certa beleza na chuva. Nesse momento ela te encanta porque você apenas a observa dentro de um local seguro, pacífico e acolhedor.

Essa metáfora é para lhe dizer que, pensamentos e emoções desencadeadas por eles, são o mesmo que a floresta e a tempestade. Você não pode lutar contra eles, não pode evitar que eles cheguem, assim como não pode evitar que a chuva venha e faça o que ela sabe fazer. Mas existe um local seguro para lhe abrigar, e de lá você pode ver a beleza que existe nesse fenômeno. De lá, na pura consciência que observa todos os fenômenos, você pode apenas observar o que está acontecendo na periferia e, apreciando tudo o que ocorre nela, aguardar o momento oportuno para continuar a sua exploração.

A consciência, ou seja, a casa que o abriga, não possui nenhum controle sobre o que está lá fora. Ela não precisa controlar nada, ela é segura por si mesma. Ela apenas testemunha. Apenas observa tudo o que acontece sem se identificar com nada daquilo, pois tudo isso está fora dela e não possui nenhum poder sobre ela mesma.

O grande paradoxo é que, uma vez que você está observando e aceitando amorosamente aquilo que acontece na periferia, essas tais coisas desaparecem, elas somem. Uma vez que você torna-se consciente do pensamento e não o julga, ele vai embora. Toda vez que está consciente da raiva, ela desaparece.

Não tente entender isto, isso é algo natural. Não dá para entender o porquê isso acontece. Simplesmente é natural. A água só evapora quando chega a 100 graus, antes disto ela não evapora. Isso é algo natural, não podemos entender, simplesmente acontece. Com as energias que trafegam dentro de nós também é assim, quando nos tornamos conscientes delas, elas somem naturalmente, e isso é tudo o que precisamos saber. 

Diogo Beltrame

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